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    ABR

    2016

    Um golpe a democracia

    por Denis Plapler em 18/04/2016

    Como bem coloca Deleuze governar o outro é em si um ato de fascismo. Quem me conhece sabe o quanto não creio no Estado Nação ,genocida já em sua natureza, fundado em uma filosofia colonizatória que até hoje mata principalmente índios e negros. Um modelo de organização social no qual a expectativa de vida das pessoas é proporcional a sua conta bancária. Penso que, acima de tudo, temos espaços, recursos, pessoas e animais, a questão é como gerir esta equação de forma a otimizar coletivamente estes fatores para fomentar a autonomia dos indivíduos e de suas comunidades, para realização dos sonhos pessoais e coletivos.

    É extremamente deprimente e repugnante observar pessoas levantando a bandeira da democracia e do combate a corrupção enquanto comemoram o encaminhamento de um Golpe de Estado no Brasil. Um processo de luta por justiça jamais será liderado por um criminoso que legisla em benefício próprio, pela redução dos direitos das mulheres, dos adolescentes e dos trabalhadores.

    Não é possível ir as ruas pela democracia e contra corrupção para empoderar criminosos como Michel Temer e Eduardo Cunha, 119 deputados que votaram a favor do “impeachment” respondem a processos judiciais.

    O discurso utilizado no golpe militar de 1964 é o mesmo do golpe político, econômico e midiático de 2016, pautado em visões reacionárias a respeito da tradição, da família e da propriedade, o discurso de caça aos comunistas.

    Ficarei feliz em estar enganado e aguardo para acompanhar as próximas capas de veículos como Folha, Estado, Veja, Isto É, assim como o noticiário dos telejornais de Globo e companhia, para verificar se o discurso de combate a corrupção permanecerá de pé ou se o grupo de Moro silenciará diante da violação do chamado Estado Legal de Direito.

    Estou assustado inclusive com o comportamento de amigos e familiares. Quem se calar diante de um governo de Michel Temer e Eduardo Cunha ficará marcado como cumplice de um Golpe de Estado, não há outra nomenclatura possível para os livros de História. Assim serão lembrados pelas próximas gerações se não demonstrarem que realmente lutam por justiça social.

    Somos sujeitos históricos. Seguimos lutando e resistindo...

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Denis Plapler

Denis Plapler

Formado como Sociólogo pela PUC-SP e Mestre em Filosofia da Educação pela USP.