Educadores

  • 10

    SET

    2015

    Que educação desejamos oferecer para as nossas crianças?

    por Denis Plapler em 10/09/2015

    Se consumimos muito destruímos o planeta, se consumimos pouco a economia entra em crise. Que economia é esta?

    Hanna Arendt enxergava crise como sinônimo de mudança. Me parece claro que não podemos mais deixar de olhar para mudanças urgentes e necessárias para superar problemas graves e históricos no Brasil, como os 13 milhões de analfabetos, os 40 milhões de analfabetos funcionais, a produção de lixo que cresce o equivalente a cinco vezes a taxa de crescimento populacional, a violência presente na absurda taxa de 154 homicídios diários, o desmatamento, o preconceito, a corrupção, dentre outros.

    Fico pensando em qual educação se pretende ao aprisionar crianças enfileiradas em salas e carteiras, divididas por idade, aplicando testes físicos e mentais que rotulam os estudantes com números e letras, punindo a colaboração e dopando com ritalina aqueles que insistem em evidenciar o fracasso deste sistema, que não respeita os diferentes ritmos de aprendizagem inerentes ao ser humano e visa formar seres apáticos politicamente e produtivos economicamente para um sistema em colapso.

    O Ministério da Educação, hoje na liderança do professor e ministro Renato Janine Ribeiro, assume três objetivos principais;

    Garantir a todos os brasileiros o direito a escola, garantir o aprendizado de todos e, para isto, o mais desafiador, transformar a escola de modo a inovar e criar práticas capazes de superar metodologias obsoletas sem fundamentação legal ou científica e que já se mostraram incapazes de promover uma educação integral aos seus estudantes.

    Convidando a sociedade civil a se mobilizar em torno destas mudanças necessárias, o programa coordenado por Helena Singer visa fomentar uma política pública de transformação da escola e, da educação básica como um todo. O chamado envolve organizações educativas escolares e não escolares, públicas e privadas.

    Como bem colocou Helena "As mudanças necessárias nas escolas precisam nascer dentro das escolas. Não haverá programa de governo que possa transformar a realidade se não acontecer esse desejo. (...) É muito importante divulgar as escolas que se organizam de forma diferente. As pessoas não sabem que é possível montar uma escola sem ser com as carteiras enfileiradas de frente para uma lousa. As pessoas foram educadas assim [...] A política pública tem que ser construída nessa perspectiva, a partir da base, da demanda social, que exige e pauta o governo. O governo é funcionário do povo."

    O MEC abre assim uma Chamada Pública que visa reconhecer iniciativas que desejam inovar ou que já inovam e criam práticas capazes de garantir a todos seus estudantes uma educação de fato integral, para que possam servir como referências para outras iniciativas. Só iremos progredir no coletivo! Participe!

    http://criatividade.mec.gov.br

     

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Denis Plapler

Denis Plapler

Atuou como consultor da UNESCO para o Ministério da Educação para iniciativa de fomento a política pública de Inovação e Criatividade na Educação Básica. Mestre em Filosofia da Educação pela Faculdade de Educação da USP. Cientista Social pela PUC - SP.  Criador do Portal do Educador, foi membro da equipe de coordenação da CONANE, membro da equipe de fomento ao III Manifesto pela Educação,  da rede Românticos Conspiradores e um dos membros fundadores da Rede Nacional de Educação Democrática. Participou da Comissão de Difusão da Jornada de Educação Centrada na Pessoa, em Barcelona.  Como educador atuou com EJA, onde encontrou adultos que desejavam resgatar a experiência escolar que lhes foi negada na infância, atuou com os meninos aprisionados na Fundação Casa pelos maiores infratores e, por mais de dez anos, acompanhou crianças em assembleias, elaborando suas regras e resolvendo seus conflitos, assim como aprendendo através de projetos desenvolvidos a partir de seus interesses, de forma não seriada,  no Colégio Viver.