Educadores

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    AGO

    2016

    Escola sem censura: A escola compartida

    por Denis Plapler em 16/08/2016

    Sob o disfarce de uma iniciativa que defende a pluralidade de ideias, o Projeto de Lei Escola Sem Partido visa impor uma perigosa censura aos professores e ignora o fato de que a imparcialidade não existe. A seleção de palavras, ou imagens, para descrever ou explicar um conteúdo, será sempre um recorte dentre tantos outros infinitos recortes possíveis. A forma como enxergamos o mundo está profundamente implícita na forma como nos comunicamos. Censurar os professores seria um enorme retrocesso.

    Qualquer assunto precisa encontrar espaço para o diálogo dentro das escolas para que não transformemos a instituição escolar em uma instituição dogmática. Ao oferecer respostas prontas e acabadas o dogmatismo presente em filosofias, políticas, religiosas, e até mesmo pedagógicas, oferece pouco a respeito da ampla experiência que é a vida. Portanto, é necessário que se possa falar de todos os assuntos, partidos e ideologias políticas, dentro e fora das escolas.

    Partidos políticos são  organizações que elegem  lideranças a serem votadas para ocupar cargos públicos dentro do poder executivo e legislativo. Ideologicamente estão dentro e fora das escolas, são os responsáveis pela administração da verba pública arrecadada através dos impostos pagos pela população. Precisam ser tratados dentro de uma perspectiva política e histórica.

    Uma escola que defende um único partido político, assim como uma única religião, impõe às suas crianças respostas prontas, educa de forma dogmática, autoritária, opressora, castradora e determinista.

    É papel da escola fomentar uma educação que permita as pessoas a compreensão do inteiro, do integrado, do interdependente, do complexo, sistêmico e holístico. Tudo que é partido impede a compreensão do todo. A democracia partidária, representativa, capitalista, evidentemente não representa os interesses da população e assegura privilégios para poucos. A velha maneira de se fazer política está morta, mas ainda não foi enterrada. As ruas gritam por mudanças que possibilitem um sistema novo, no qual as pessoas de fato participem e sintam-se representadas. Logicamente o caminho para esta transformação não passa pela censura. A cada dia nascem novos coletivos que, cansados de toda esta farsa e hipocrisia, rompem com as rígidas estruturas de hierarquia, burocracia  e opressão.

    Para que os estudantes aprendam a decidir, precisam aprender a se posicionar frente aos diversos temas que enfrentarão ao longo da vida. Censurar os professores é sabotar diretamente a possibilidade de desenvolvimento da autonomia de nossas crianças. 

     

     

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Denis Plapler

Denis Plapler

Formado como Sociólogo pela PUC-SP e Mestre em Filosofia da Educação pela USP.