INTER-DISCIPLINAS: de uma cartografia do conhecimento ao livre pensar

Vivemos, desde a criação e expansão da internet, uma sociedade de informação em massa. Segundo o autor, passamos por um verdadeiro dilúvio. Podendo assim, comparar metaforicamente esse derramamento incontrolável à história de Noé. Nessa perspectiva, deveríamos apontar para a solução de construirmos Arcas. No livro “Cibercultura”, ele apresenta que deveríamos salvar o essencial nesta “similarização” de acontecimentos. No momento em que Noé coloca apenas um “exemplar” [sei que essa palavra não é boa, mas fiquemos com ela] de cada espécie animal, faz um resumo zoológico. Se seguirmos nesse entendimento, deveríamos fazer o mesmo com as informações que nos assolam diariamente e nos pre-ocupar apenas com o que é “essencial”.

Sobre as eleições, com muito respeito

Eu não tenho grandes esperanças na política partidária… Acredito muito mais nos movimentos sociais permanentes do que na mobilização rasteira que acontece a cada 4 anos às vésperas da eleição. E, sobretudo, tento fazer do meu cotidiano (minhas relações com as pessoas desconhecidas e com as pessoas queridas, a educação do meu filho, o meu trabalho, a administração da minha casa, minha relação com os bens materiais,etc.) objeto de um reflexão política permanente . Nesta eleição, vou votar útil na candidata Dilma, com muita dificuldade porque as minhas posições estão bem mais à esquerda do que as propostas do PT, porém entendo que votar no PSDB representa um retrocesso da causa que considero a mais importante: o avanço dos direitos sociais e civis (a incapacidade do PSDB nesse ponto é bem empírica, basta ver a repressão que os movimentos de junho sofreram durante o governo Alckmin no ano passado, basta ver a situação da impressa durante o governo Anastasia em Minas Gerais). Eu não seria capaz (e nunca tentei) de convencer o pessoal do voto nulo a fazer o tal do voto útil, pois não tenho convicção suficiente “para exportar”, eu entendo os motivos do voto nulo profundamente.

O livre pensar e a voz inaudível de um professor frente a “sua” sala

Já que, essa perspectiva, estaria marcada por uma “metalinguagem” resolutiva, não me pareceria relevante este início, mesmo ciente que cada fala tenha seus caminhos possíveis e múltiplas rotas. Talvez pudesse também ser mais visceral, mas arriscaria cair em um artifício intrínseco. Mesmo que a proximidade linguística não representaria necessariamente um equívoco do pensar, poderia acarretar em uma inaudível sensação inesperada.

Adoro histórias!

Os adultos não costumam fazer essa afirmação, pois não tem clara a percepção de que os filmes e novelas são de fato uma contação de histórias num formato em que os afetos estão distanciados, por não contarmos com a presença, o olhar e o calor do contador. Insisto, adoro histórias, histórias de gente. Adoro conhecer gente com histórias de vida marcante. Essas histórias alimentam a minha essência de criadora de histórias. Elas me proporcionam viver uma reelaboração de sentimentos, uma reformulação dos personagens fictícios que a realidade me permite permanentemente criar. Minha índole me impulsiona a imaginar enredos curativos. Acredito no poder que as histórias inspiradoras têm sobre os ouvintes e sobre quem as conta, o poder da imaginação e da transformação. Os mistérios das histórias fazem seu trabalho em silêncio, de forma invisível.

Cleide e Cleusa: mulheres no espelho

São nove horas, hora marcada para a entrevista de emprego de arrumadeira. Um toque na campainha da casa elegante, a porta que se abre revela uma mulher elegante que sai ao portão. Um arrepio percorre a espinha de ambas: são tão parecidas…

A entrevista segue seu rumo costumeiro: experiência, exame da carteira de trabalho, acertos de tarefas, horários e salário. Tudo ok, início segunda-feira. Permeando a conversa, a sensação de familiaridade que causa estranheza, paradoxal.

Na manhã seguinte

Pode até ser poético meu pensar… Mas é como vivo e como acredito estar contribuindo para a aprendizagem de todas as crianças que convivem e conviveram comigo enquanto professora… e mãe. Acredito como dizem as crianças “do fundo do meu coração” que enquanto não mudarmos este paradigma em nossa profissão, estaremos repetindo consciente e inconscientemente aquela escola onde estudamos e na qual “fomos ensinados”.

Construindo a calçada da vida descalço

Saltei do ônibus e no caminho, pelas calçadas em noite fria e chuvosa, segui apreciando os milagrosos detalhes do fluxo vital que somos. Olhei pássaros, postes, luzes e abraços. Só consegui enxergar o tamanho da cela ao me afastar da solitária, mas ainda numa prisão, que sequer sei o tamanho, das consequências de uma liberdade inconsciente do tempo em que andei preso na pressa, infundada e sem razão de ser. Andei rápido pelas ruas, pelos corredores e pela vida. Preso no próprio tempo, que já não era mais meu, morto e sem sentido.